Sobre memórias, histórias e internet

Em mais de uma oportunidade tentei, nesse puxadinho de internet que chamamos de Amenidades.blog, chamar a atenção dos leitores para a importância de preservarmos os registros escritos e fotográficos das histórias que temos vivido.

Histórias distintas, comuns e singulares. Histórias construídas a muitas mãos, em muitos lugares, em diferentes tempos. Histórias emocionantes, de indignação, fé, raiva, alegria, pânico, luto. Histórias como as vividas em 2015 no Centro Cívico de Curitiba. Histórias que, se tivessem saído da gaiola virtual do Facebook, um dia poderiam ser pesquisadas num trabalho escolar dos nossos netos, que por ventura viessem a buscar compreender o simbolismo do 29 de abril de 2015, assim como nós, professores mais jovens, recorremos aos colegas mais antigos para saber das histórias e preservar a memória e o simbolismo do dia 30 de agosto de 1988, vivido nesse mesmo Centro Cívico curitibano. Histórias que, quando não são escritas fora das cercas facebookísticas, correm o risco de se perderem ou de serem falsificadas (como aquela vez em que Beto Richa tentou distorcer os fatos e falsificar a história para tentar recuperar parte do dano feito à sua imagem de “bom moço”).

Histórias contadas por frases e fotos, mas que provavelmente ficarão perdidas ou enclausuradas pela crescente privatização da informação da internet, promovida e realizada pelo Facebook e outras grandes corporações de TI. Certamente que nossas memórias não serão facilmente dissipadas, da mesma forma que muitas cicatrizes não desaparecerão, mas sempre que permanecemos restritos a determinados territórios virtuais, corremos o risco de desaparecer dos registros públicos da internet só porque o Facebook acha melhor assim – e está preocupado é com ganhar dinheiro vendendo os logs de análises do seu comportamento na internet.

Escrevemos e publicamos entre nossos amigos do Face (e os amigos de nossos amigos) por muitos motivos. Damos vazão às nossas revoltas. Realizamos o exercício de organizar o pensamento e a escrita, para ao final compartilhar uma situação, uma visão sobre os fatos, uma opinião, um pensamento. Escrevemos porque não existem barragens capazes de bloquear as águas que carregam os nossos sonhos. Escrevendo de publicando, transbordamos nossas paixões e razões, dando certa vazão às nossas vozes, pelo movimento ligeiro de dedos num teclado qualquer.

Aqui nesse blog, nesse oásis de Amenidades (note a ironia, por favor), temos tentado registrar o que conseguimos das histórias política que vivenciamos e participamos, cada qual à sua maneira. Pelos motivos aqui expostos, e por outros mais,  nos interessa incentivar a produção de registros historiográficos na internet pública, isto é, para fora do Facebook. Nesse sentido, reiteramos o convite a você, sim, você que está lendo esse texto nesse momento, para publicar conosco ou nos recomendar uma postagem de Facebook que mereça ficar para a história blogosférica da world wide web do início do século XXI. Interaja com a Fan Page no Facebook (oh não! que contraditório!) e contribua nessa empreitada.

Enzo Maschio Autor

Enzo Maschio Figueiredo, ex-economista e ex-professor da educação pública do Paraná, é pedagogo e educador ambiental na ITAIPU Binacional.

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