Editorial água-com-açúcar

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Quadro de Van Gogh. Descubra a história da pintura ao invés de escrever comentários ofensivos.

*Editorial extemporâneo devido às manifestações pouco amistosas em comentários pelas timelines de quem compartilha o conteúdo do Amenidade.blog.

Caso, ao chegar ao final deste texto, você sinta uma compulsão incontrolável de expressar por meio de palavras mal-educadas seus sentimentos mais profundos, por favor, contenha-se por um momento antes escrever sua raiva no comentário do texto. Lembre-se, além de perder seu tempo rebatendo a opinião de um blog minúsculo, seu comentário não mudará a forma como as pessoas veem o mundo, mas pode mudar a forma como as pessoas veem você.

Antes de qualquer acusação pelo dito acima, saiba que não temos a intenção de jogar mais gasolina na fogueira e, mesmo se tivéssemos, optaríamos pelo álcool, porque é produto nacional e a gasolina está muito cara. É claro que tem muita gente por aí que não está se importando com o preço, ou talvez tenham estocado durante anos a gasolina que agora despejam pelos meios de comunicação de massa e redes sociais. Vai saber, né. De nossa parte, nos interessa sobretudo que os ânimos se esfriem antes que mais pessoas saiam queimadas.

Às vezes, abertamente, outras nem tanto, o ódio tem estado presente no debate político brasileiro há algum tempo. Insinuações envergonhadas aqui e ali, algumas teses absurdas que eram instantaneamente ridicularizadas, aos poucos foram conquistando adeptos a ponto de encontrar, finalmente, pessoas dispostas a sair às ruas e transformar a violência discursiva em violência concreta. Perdem os estilistas, impossibilitados de utilizar o vermelho em suas roupas sem colocar a integridade física dos usuários em risco. Uma calamidade para a indústria da moda.

O clima político está tenso. Quase não conseguimos lembrar mais como era boa aquela época cordial, quando nos diziam “vá pra Cuba, comunista”, depois davam as costas enquanto dávamos de ombro e cada qual seguia seu rumo. Hoje, nem podemos nos encontrar pra rir daqueles dias. E há quem esteja hostil do outro lado também. Chamam de “golpista” qualquer pessoa que torça o nariz para o Governo Dilma, que, admitamos, não é tão de esquerda quanto uns e outros andam dizendo por aí.

Pausa. Esclarecimentos: nem todos e todas que são de esquerda defendem o governo; não são corruptos e corruptas todas as pessoas que defendem o governo; nem todas as pessoas que querem o impeachment querem a volta da ditadura; muitas das pessoas que são contra o impeachment também concordam que o governo Dilma é ruim; a imprensa é parcial, sem mais; o preto e branco são as cores tendência da estação outono/inverno 2016, mas quem escolheu garante que não teve nada a ver com a atual polarização política.

Retomando. Para quem acha que o mundo se divide entre bons e maus, ou está apenas procurando alguém em quem descontar suas frustações, talvez seja difícil compreender que possam existir muitas opções políticas além das veiculadas ultimamente nos jornais dos maiores meios de comunicação do país. Calma, se você também está com dificuldade para entender a confusão em que estamos, isto não significa que você possui uma visão maniqueísta estreita do mundo. Esta dificuldade está dentro da curva de previsibilidade para um país que investe tão pouco em educação, possui empresas de comunicação incrivelmente comprometidos com seus próprios interesses – dentre os quais, prestar informações de qualidade não faz parte – e não possui a tradição de resolver seus problemas democraticamente.

A quem está caçando culpados e esperando um salvador, sugerimos cautela, pois a complexidade do momento não é apropriada para decisões precipitadas que possam ter consequências de longo prazo. Se mesmo depois destas palavras água-com-açúcar, ainda pintar aquela vontade irresistível de agredir alguém, mesmo que só com palavras, pois algumas machucam bastante, sugerimos que você vá até o local mais próximo onde possa conseguir um copo com água, depois, com uma colher despeje açúcar a gosto dentro do copo. Misture bem. Beba. Se a vontade não passar, outras opções podem ser um passeio, um bom livro, cinema, etc.

 

 

 

 

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