O que vi, ouvi e senti na #SemanaDoChoro

Uma das maiores rodas da #SemanaDoChoro foi realizada na Boca Maldita.

No mês de abril, durante quase 10 dias, tivemos em Curitiba a oportunidade de curtir a #SemanaDoChoro, um evento que contou com palestras, lançamentos de livros e, principalmente, shows, todos gratuitos, para homenagear um dos mais genuínos gêneros musicais brasileiros.

Por vários dias, o circuito do Choro se espalhou pela cidade, ocupando espaços tradicionais como os bares e também praças e universidades, mostrando uma vitalidade impressionante desse gênero em Curitiba.

A #SemanaDoChoro evidenciou algo que normalmente passa despercebido: a capital do Paraná é uma das vanguardas nacionais da música instrumental. Por aqui, há compositores, rodas semanais (como as do Conjunto Choro & Seresta, na Feirinha do Largo da Ordem), professores e muita gente disposta a aprender e perpetuar o gênero.

Além das homenagens e da apresentação dos músicos locais, a #SemanaDoChoro também foi um espaço de resistência. Isso porque, infelizmente, as poucas políticas públicas que apoiam a música-que-não-toca-na-rádio vem sendo desmontadas em Curitiba e em todo o Brasil. Recentemente, tivemos o fechamento do Clube do Choro de São Paulo.

Em Curitiba, é possível dizer que a #SemanaDoChoro de 2017 é também fruto de uma dessas políticas públicas, a Oficina de Música. Desde que a etapa de MPB foi criada, há mais de 20 anos, a cidade vem recebendo expoentes nacionais do Choro, que vem a Curitiba para dar aulas e participar de show durante o mês de janeiro. Isso certamente ajudou a fortalecer os músicos locais que já tocavam Choro e também a ganhar novos adeptos. E é justamente essa mesma Oficina de Música que foi cancelada pela Prefeitura.

Durante os 10 dias de programação intensa, tive a oportunidade de ver homenagens a nomes consagrados do Choro, como Pixinguinha (que nasceu em 23 de abril, data que ficou conhecida como Dia Nacional do Choro) e Chiquinha Gonzaga e também a artistas locais, como Wilson Moreira, falecido recentemente. Foi um momento único.

E essa não foi a primeira vez que vivemos uma programação intensa de Choro aqui na cidade. Me lembro que, certa vez, o restaurante Beto Batata promoveu “24 horas de Choro”, com direito a um giro dos músicos pelo centro da cidade em cima de um trio elétrico na hora do almoço. Sim, amigos, em Curitiba já tivemos o encontro do trio elétrico com o chorinho.

Os músicos curitibanos e os bares que apostaram no evento estão de parabéns. Junto a eles, todos aqueles que ajudaram na parte estrutural, divulgação, nos cartazes e tudo mais. E, se você perdeu, não marque mais bobeira: acompanhe as novidades do gênero na cidade (a página “É No Choro Que Eu Vou” no Facebook é uma boa dica) e compareça os próximos shows.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *