Um paranaense em destaque no carnaval carioca

Leonardo Bora (lado esquerdo) e seu parceiro Gabriel Haddad, quando eram carnavalescos da Acadêmicos do Sossego.

Por Bernardo Pilotto*

Contrariando o senso comum e superando diversas barreiras, um paranaense de Irati tem se destacado no mundo das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Sim… Leonardo Bora, 30 anos, é um dos destaques da nova geração de carnavalescos que vêm conquistando espaço nesses últimos anos.

Em parceria com Gabriel Haddad, assinou o carnaval campeão do Grupo B com a Acadêmicos do Sossego em 2016, com o enredo “O Circo do Menino Passarinho”, sobre o poeta Manoel de Barros. Em 4 carnavais, conquistou 3 títulos, nos Grupos B, C e D.

Para 2018, a escolha de um enredo sobre Arthur Bispo do Rosário, para a Acadêmicos do Cubango (escola de Niteroi que disputa o Grupo A), já vem sendo bastante elogiada. Será a estreia de Bora no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Além do seu trabalho de carnavalesco, Bora também foi o desenhista das (belas) capas da coletânea de livros “Família do Carnaval“.

Tudo começou ainda no começo dos anos 1990. Em Irati, Bora acompanhava o carnaval da cidade, um dos mais intensos do interior do Paraná, com os pais. Foi com eles, também, que nosso personagem passou a acompanhar o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Suas primeiras lembranças são do desfile de 1992, vencido pela Estácio de Sá. Ainda em Irati, ele ajudou na decoração do Clube Polonês (local onde acontecem os maiores bailes de carnaval da cidade) durante 5 anos.

Com 17 anos, Bora se mudou pra Curitiba, para cursar História na UFPR e Letras na PUC-PR. Em 2009 ele se formou na PUC-PR mas, na UFPR, acabou mudando para o Direito, onde se formou em 2011. Mas a área jurídica não o cativou: “trabalhei nessa área apenas como estagiário. Foi a literatura que falou mais alto“.

Sua participação no carnaval carioca começou quando ainda estava morando em Curitiba, colaborando com pequenos trabalhos para escolas como Unidos do Viradouro, Império da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Boi da Ilha e Mocidade Independente. Quando foi morar no Rio, ai seu trabalho deu um salto.

De 2012 a 2014, trabalhou com os desenhos de fantasias para a São Clemente, Alegria da Zona Sul, Império Serrano e Vai-Vai (uma das mais tradicionais escolas paulistanas). Paralelamente a isso, assinou seu primeiro trabalho na Mocidade Unida do Santa Marta, quando foi membro da Comissão de Carnaval. A partir daí, se consolidou como um dos nomes de uma nova geração de carnavalescos.

No final de 2016, Bora foi estudar na Universidade de Nice Sophia-Antipolis, na França, aproveitando um intercâmbio do Doutorado em Ciência da Literatura da UFRJ. Por lá, conheceu o carnaval de Nice e Veneza, cujos “modelos” influenciaram bastante o carnaval brasileiro. E adivinha o que ele estuda no Doutorado? As narrativas de enredo de Rosa Magalhães, uma das grandes do carnaval (atualmente, é a carnavalesca da Portela).

*Bernardo Pilotto é sociólogo e trabalhador do Hospital de Clínicas, mestre em Saúde Coletiva pela Unifesp. Nas horas vagas, vai ao samba do Sindicatis. Texto originalmente publicado no Jornal Batucada

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