Neo ou ultra liberais

*Por Bernardo Pilotto

Os intelectuais da Reforma do Estado (como Bresser Pereira) propunham que certas áreas eram exclusivas do Estado, como segurança e inteligência. Pois bem… os gestores brasileiros foram além do que Bresser defendia.

É o que mostram duas notícias dessa semana que passou. Vejamos:

1) “Governo de SP rompe contrato com empresa que monitora 7 mil presos com tornozeleira eletrônica” (G1, 09/08/2017): os dados sobre quem está preso, onde estão os presos e tudo mais pertence a uma EMPRESA TERCEIRIZADA. Se isso não é dado de inteligência do Estado, o que será?

(Veja a notícia em: https://goo.gl/vQXKHK)

2) “No Rio, homem tenta denunciar crime no 190 e desiste: perguntas demais” (Jornal Nacional, 09/08/2017): o serviço de 190 também foi terceirizado. Logo, os dados ficam com uma empresa e não com a Secretaria de Segurança.

(Veja a notícia em: https://goo.gl/jrFVC4)

É a esse ponto que chegamos após anos e anos de políticas de privatização, concessão e terceirização (feitas de modo hard nos governos tucanos e de modo soft nos governos petistas). Terceirizaram tudo. Tudo mesmo. Até aquilo que os liberais achavam ousado demais. Os gestores brasileiros seriam chamados de entreguistas até pelos intelectuais liberais.

E continuaremos assim caso sejam mantidas as políticas de ajuste fiscal como #PECdoFimDoMundo, corte de verbas e etc. Na contramão disso, precisamos cobrar impostos sobre os mais ricos, as grandes fortunas e sobre as grandes propriedades, além de auditar a dívida né.

Por fim, relembro de um texto de minha autoria sobre o caso do ICI (Instituto Curitiba de Informática): https://goo.gl/6TvHkT

*Sociólogo e trabalhador do Hospital de Clínicas, mestre em Saúde Pública pela Unifesp. Foi o candidato do PSOL ao governo do estado do Paraná em 2014. Nas horas vagas, vai ao samba do Sindicatis.

Texto publicado originalmente no Facebook e reproduzido aqui com permissão do autor.

 

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