Palocci, Lula, o voto crítico

*Por Giuseppe Cocco

A Carta do Paloccci confirma que ele está abrindo uma outra fase política da relação do PT com a questão da corrupção, algo que me fez logo pensar ao que aconteceu na Itália, quando as colaborações judiciárias (na esquerda armada) viraram também arrependimentos políticos. As cartas de ” dissociação” que muito intelectuais italianos assinaram desde as prisões são parte disso e foram ainda mais eficazes no desmonte – para o bem e para o mal – da esquerda radical daquela época. Palocci, pelo visto, decidiu fazer as duas coisas e mostrou que tem “bambus”, não apenas porque pode revelar os bastidores da escolha que Lula e o PT fizeram de usar a vitória política e eleitoral diante do escândalo do mensalão não para enfraquecer a política patrimonialista e predatória contra a qual o PT nasceu, mas para generaliza-la: não re-industrilizaram o país, mas a corrupção. Usaram o apoio que muita gente lhe deu em 2005 (eu em particular, com um manifesto pela radicalização democrática) se lixando totalmente do que dizíamos do ponto de vista da democracia e do programa: a incompetência e o autoritarismo da Dilma foram a cara do “Lula realmente existente”. O apoio que muitos amigos e amigas que assinaram o manifesto que eu escrevi em 2005 (quando eu escrevia com Negri na Folha de São Paulo: “Lula é muitos” ) continuaram a dar ao Lula e ao PT è, na melhor das hipóteses, naïf e transformou o que era uma erro de análise política errada (dizer que Lula era muitos foi errado, pois Lula trabalhava pelos poucos, os Eikes, os Temer, os Odebrecht e irmãos Batista) em cumplicidade política com a falência da esquerda (com consequências potencialmente nefastas, entre as quais a emergência eleitoral do fascismo).

http://www.ihu.unisinos.br/572064-junho-de-2013-atacou-o-ha…

*Cientista político professor da UFRJ.

Texto originalmente publicado no Facebook e reproduzido aqui com permissão do autor.

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