O lavandeiro de Aécio e sócio de Luciano Huck e Bernardinho

*Por Caio Almendra

Hoje, a Polícia Federal intimou para depor Alexandre Accioly, em desdobramentos da Lava-Jato no Rio e nessas situações que uma luz paira sobre fatos sociais importantes e devemos aproveitar tal luz.

Está longe de ser a primeira vez que falo sobre Alexandre Accioly. Ele não é um político, nem mesmo é frente de qualquer esquema de corrupção. Ele está na parte de trás das operações, mais como um doleiro, um típico específico de atividade chamada “lavagem de dinheiro”.

Lavagem de dinheiro é uma expressão que muitos fingem entender, acenam, dizem “ôh” e seguem a vida. Meio como “mercado de futuros”, “física quântica” ou “massa folhada”. Então, vou cometer a chatice meio pedante de explicar o que é lavagem de dinheiro.

Imagina que você ganha dinheiro de forma ilegal. Digamos recebendo grana para emperrar CPIs, super-faturando aeroportos construídos em terras particulares com dinheiro público ou com tráfico de pasta base de cocaína em helicópteros. Se você quiser guardar esse dinheiro para quando seus esquemas secarem, você contrata um doleiro e manda o dinheiro para um paraíso fiscal. Mas e se você quiser gastá-lo?

Ora, digamos que seu salário é publicamente divulgado, todos sabem o quanto é e está na página do Senado como R$ 16.512,09. Bem, é bastante dinheiro para a realidade brasileira, mas graças a seus ganhos ilegais, você anda de avião particular e o aluguel de um para o trajeto Brasília-Rio de Janeiro custa mais de 25 mil reais. Então, você precisa explicar para pessoas que sabem o quanto você ganha(digamos, a receita federal) como você tem tanto dinheiro.

Aí, entra o lavandeiro. Um esquema de lavagem de dinheiro visa transformar dinheiro ilegal em dinheiro legal. E como isso é feito? Bem, primeiro, você monta uma empresa. A empresa precisa parecer séria, com gente que parece séria, com aspecto de lucratividade real. Não tem problema gerar pequeno lucro. Com essa empresa funcionando, você “infla” os seus lucros, dizendo que ela vendeu mais do que de fato vendeu, pagando parte dos fornecedores em dinheiro e etc. Assim, o seu dinheiro ilegal entra na empresa sem ninguém ver e sai da empresa como dinheiro legal. Para todos os efeitos, não é mais dinheiro ilegal, é lucro de uma empresa surpreendentemente lucrativa.

Não são todas as atividades que se prestam a lavar dinheiro. Não podem ser atividades muito reguladas ou fiscalizadas. Também não podem ser atividades que naturalmente deixem vestígios, façam fluxos muito grandes de mercadorias e etc. O ideal é que seja uma atividade que dê para fingir nos livros contábeis que faz mais dinheiro do que de fato faz. Digamos que você fabrique gelo. Ora, gelo é produzido a partir de água mais energia elétrica. Se sua conta de água e de eletricidade é baixa, não tem sentido dizer que você vende toneladas de gelo. Além disso, quem está comprando tanto gelo?

Digamos, então, que você tenha uma academia de ginástica. Você tem 100 clientes regulares mas escreve nos livros que tem 500. Sua academia pouco lucrativa rapidamente virou uma empresa ultra-lucrativa. Mais gente pagando a academia de ginástica não significa maior gasto de água, de eletricidade. Diabos, do jeito que as coisas são nesse mercado, não significa nem que mais pessoas vão às suas lojas(quem nunca se inscreveu em uma academia e quase nunca foi?). Assim, academias de ginástica, junto com empresas de ônibus, restaurantes, igrejas, são atividades prediletas para lavagem de dinheiro.

Alexandre Accioly foi apontado como o lavador do dinheiro de Aécio. Se vocês acham a cara do Gilmar Mendes esquisita, olhem bem o currículo de Accioly. Alexandre gosta de contar a história de que começou a empreender com um negócio de engraxate numa praça do Leblon, onde gerenciava o trabalho de amigos por 50% da comissão(fanfic de direita na veia). A-ham.

Ele empreendeu diversas coisas, de fato. Mas nenhuma deu grandes lucros ou crescimento. Montou um jornal que faliu, empresa de agenciamento para TV que faliu e uma de publicidade que também faliu. Deu certo quando abriu uma empresa de telemarketing que atendia à revista Veja(se você não está sentindo o cheiro de merda, deve estar gripado) que foi vendida pela “bagatela” de 140 milhões de reais para a Telefônica. A coisa não é pouco suspeita: uma empresa de telemarketing não costuma ter nenhum ativo de grande valor, a marca não é valiosa, os ativos são poucos e, bem, a maior clientela são justamente as empresas de telefonia. Ora, duvido que a Oi contratasse empresa de telemarketing ligada à Telefônica para atender suas demandas.

Depois disso, montou academias de ginásticas. E, claro, era sócio de Aécio Neves, senador da república do qual todos sabem o esquema. Perguntado sobre como é gerenciar tantos negócios, ele simplesmente afirmou que “são meus sócios que cuidam de tudo”. Ou seja, o sujeito tem um excelente tino para sócio. E, principalmente, se ele não cuida do dia-a-dia do negócio, o que ele faz? Como tudo que ele pisou a após o contato dele com a Veja virou ouro se ele mesmo assume que não cuida de suas empresas? Ora, é tão difícil entender que ele garante o dinheiro sujo e os sócios garantem a operação da lavanderia?

Alexandre Accioly é sócio em suas academias de ginástica de Luciano Huck, pré-candidato pelo PPS à presidência da república, e “Bernardinho do vôlei”, pré-candidato pelo Partido Novo(sic) ao governo do Rio de Janeiro. A direita está trocando o político sócio do Accioly do passado(Aécio Neves) pelos novos sócios do Accioly(Huck e Bernardinho). Você vai entrar nessa de votar nos novos aécios e dizer que não tem culpa? E quando um novo escândalo estourar vai dizer que não tem bandido de estimação?

Todo mundo sabe do esquema do Aécio para conseguir grana ilegal. Agora, você sabe do esquema do Aécio e do Accioly para transformar essa grana em dinheiro legalizado. Ficamos no aguardo da delação premiada do moço.

*Militante social.

Texto originalmente publicado no Facebook e reproduzido com permissão do autor.

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