O samba voltando para o seu “marco zero”

Foto: Juliana Vitulskis

Por Bernardo Pilotto*

“O samba, que nasceu lá na Vila
Não morreu, ainda respira
Está pedindo pra voltar”

(Maé da Cuíca)

Um acontecimento pequeno e nada silencioso marcará o dia 04 de março na cidade. Isso porque, nesta data, o Bloco de Samba Boca Negra fez seu primeiro desfile, na região que vai ficando conhecida como o “marco zero” do samba curitibano.

Marco zero, sim. Pois foi ali na Vila Tássi, embaixo do viaduto do Capanema, exatamente onde o Boca Negra se concentrou para seu primeiro desfile, que Maé da Cuíca e outros tantos batuqueiros fundaram a Escola de Samba Colorado, lá pelos idos de 1940, marcando para sempre a História do carnaval curitibano.

Infelizmente, uma história sempre deixada de lado, escondidinha… mas que aos poucos vem sendo resgatada e exaltada.

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A universidade pública segue gratuita: uma grande vitória com enorme significado

Por Carlos Pegurski*

Nessa quarta-feira (29), a Câmara rejeitou a PEC 395/14, de autoria do deputado Canziani (PTB-PR). A proposta objetivava alterar o texto constitucional de forma a pacificar o que já ocorre na maior parte das Universidades públicas brasileiras: a cobrança nas ofertas de extensão e de especialização, por não serem cursos regulares. Por alterar a Constituição, a proposta precisava de 308 votos para ser aprovada; no placar final, 304 deputados foram favoráveis e 139 contrários. Cerca de 70 deputados não votaram.

O argumento de Canziani para acabar com a gratuidade do ensino público é de uma hipocrisia sem tamanho: segundo o “deputado da educação”, que votou favorável à PEC da Morte no ano passado, os cursos de extensão e de especialização servem a empresas privadas que usam o saber de ponta da Universidade e “nada mais justo que por eles paguem”. Mas quem trabalha na Universidade sabe que se trata justamente do contrário: os cursos in company, contratados e pagos por empresas, são exceções. Na maior parte das vezes, são trabalhadoras/es precarizadas/os que, ao colocar uma federal em seu currículo, fazem um esforço para uma melhor colocação no mercado de forma a sobreviver ao desemprego e à precarização das condições de trabalho.

Portanto, a despeito dos motivos alegados, a polêmica está em colocar ou não sobre a educação pública a tesoura da crise enquanto não se questiona o superávit primário para pagar os juros da dívida. Regulamentar a cobrança desses cursos significaria jogar em definitivo para a sociedade o fato de a PEC 55 ter colocado um limite no financiamento público, já insuficiente. Para ilustrar a dimensão do impacto do subfinanciamento, podemos consultar o estudo encomendado pelo SINDITEST-PR sobre o impacto da PEC da Morte nas Universidades Federais do Paraná (clique aqui).

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Sobre a luta contra a Reforma da Previdência interior adentro

O economista Eric Gil foi um dos palestrantes da Audiência Pública em Dois Vizinhos.

Por Bernardo Pilotto*

Na semana passada estive em Dois Vizinhos, cidade localizada no Sudoeste paranaense, para uma Audiência Pública sobre a Reforma da Previdência (PEC 287) e a Reforma Trabalhista. Há uma série de reflexões políticas a serem feitas a partir desta atividade.

A Audiência foi fruto de uma articulação de vários sindicatos locais, associações, estudantes e pastoras sociais. No dia 15 de março, a convocação dessa articulação para um protesto contra a Reforma da Previdência (que aconteceu simultaneamente em muitas cidades brasileiras) tinha atraído cerca de 2000 pessoas para a rua, no que pode ter sido a maior manifestação da história da cidade.

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Carta aberta ao prefeito de Curitiba e ao secretário de Segurança Pública

Por Rafael Moro Martins*

Um textão pra essa sexta-feira, dedicado ao prefeito Rafael Greca e à Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná.

Ontem a tal AIFU (que sigla!) andou pelos lados do O Torto Bar, onde eu fui tomar uma cervejinha. Cheguei lá depois da Guarda Municipal mandar fechar o bar, embora a documentação estivesse em ordem.

Depois disso, com o bar já novamente aberto, a cada dois ou três minutos um carro da Guarda Municipal ou da Polícia Militar descia lentamente a Paula Gomes, com seus ocupantes encarando os frequentadores do bar tal qual um buldogue olha para um pedaço de alcatra. Por motivo algum.

Detalhe importante: os carros desciam a rua com giroflexes ligados. Isso e a baixa velocidade dariam aos “mercadores do mal”, como diz nosso parnasiano prefeito, tempo de desovar seus estoques num vaso sanitário, soltar a descarga, lavar as mãos, pentear o cabelo e, se equipados para tanto, até fazer a barba.

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O perigo do deixa-que-eu-deixo

Máquinas destruindo a antiga torre de TV da Sapucaí.

Por Bernardo Pilotto*

Com a inauguração do Sambódromo carioca em 1984, foi inaugurada também a chamada torre de TV, localizada quase ao final do desfile, utilizada por fotógrafos e cinegrafistas para fazer imagens do desfile. Fixa, imóvel, sem nenhum requebrado, sempre com o mesmo tamanho, ela nasceu para ser coadjuvante mas, com 9,75 metros de altura, acabou sendo protagonista em muitos momentos.

Vi ela ser protagonista logo na primeira vez que fui ao desfile, em 1993. Eu estava no antigo Setor 6, nas cadeiras de pista (que naquela época ainda contavam com mesas) e vi de modo privilegiado.

A Mangueira vinha fazendo um grande desfile sobre a origem da manga, com um samba marcante e animado. Até que o carro que tinha uma espécie de caravela empacou na torre. O erro era grande e o mastro do carro era muito mais alto do que a altura da torre. Nada fazia com o carro passasse, nem mesmo a ideia de furar os pneus do carro. Resultado: uma confusão na evolução da escola, com alas passando ao lado do carro.

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