“No batalhão desse Sargento, eu sou recruta”*

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Por Bernardo Pilotto*

No próximo dia 11 de dezembro, o projeto Samba do Sindicatis completará 6 anos de existência. E, depois de recebermos Monarco, Waldir 59, Tantinho da Mangueira, Rafael Lo Ré e Tuco Pellegrino, será a vez de comemorarmos com Nelson Sargento.

Esse tem tudo para ser um show épico. Isso porque Nelson Sargento é representante de uma geração do samba que praticamente não existe mais. Com 92 anos de idade, teve o privilégio de ser amigo de Cartola, com quem compôs vários sambas. Em 1955, a Mangueira, sua escola de coração, desfilou com um samba-enredo, que se tornou uma de suas músicas mais famosas (“As Quatro Estações”).

Nelson é também um faz-tudo, visto que foi do Exército, é pintor de quadros, já foi ritmista de bateria. Nos anos 1960, fez shows em conjunto com Paulinho da Viola e Zé Ketti.

E, assim como escrevi na ocasião em que recebemos Monarco, este também é um show em que meu coração particularmente se balança. E não é só porque foi num show de Nelson, em 2007, que meu mais longo relacionamento amoroso se iniciou (coincidentemente, foi perto de mais um show dele que se acabou). Muitos antes disso, já tinha tido chance de ver Nelson no palco.

A primeira vez foi lá nos idos de 2000. Nelson foi convidado para vir a Oficina de Música de Curitiba ministrar aulas de composição de sambas. Ele fez shows durante toda a semana na cidade. Aos 16 anos de idade, ainda não tinha autonomia para estar nestes shows e nem tinha muitos amigos que gostassem de samba. Por isso, não fui aos eventos durante a semana. Mas, no sábado, no Teatro da Reitoria, eu estava lá.

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A G.R.E.S. São Clemente e o PT – por Bernardo Pilotto

Fundada em 1962, a Grêmio Recreativo Escola de Samba São Clemente ficou conhecida mesmo apenas nos anos 1980, quando chegou ao Grupo Especial com seus enredos polêmicos e críticos. A escola, do morro Dona Marta, localizado na Zona Sul (no bairro de Botafogo), foi a que mais foi influenciada pela conjuntura política da época. Ainda que outras escolas também fossem influenciadas pelas lutas pelo fim da ditadura militar e por direitos sociais que sacudiram o país na época (destaque para os sambas “Eu Quero“, do Império Serrano em 1986, “Assombrações“, da União da Ilha em 1986, “Direito É Direito”, da Vila Isabel em 1989, “100 Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão“, da Mangueira em 1988 e “E Por Falar Em Saudade…“, da Caprichosos de Pilares em 1985), nenhuma delas teve tantos enredos críticos e politizados como a São Clemente.

Por isso, ficou conhecida como a “PT do samba”. Naquele momento, isso era o equivalente a dizer que a escola priorizava a crítica a situação social do país, mesmo que isso lhe custasse a chance de titulo, patrocínios (que começavam a surgir com força, especialmente a partir do enredo de 1985 do Império Serrano) e até a própria permanência no Grupo Especial (1ª divisão do carnaval carioca, que teve muitos nomes ao longo dos anos). Read more about A G.R.E.S. São Clemente e o PT – por Bernardo Pilotto