E ano que vem, vem ainda melhor!

Silas de Oliveira foi o autor da maior sequência de sambas-enredo inesquecíceis da história.

Por Bernardo Pilotto*

Quando um grande evento é realizado, sempre fica a impressão de que será difícil repetí-lo ou melhorá-lo na próxima oportunidade. Há alguns eventos, inclusive, que não conseguem e que acabam fazendo novas edições do mesmo evento apenas rememorando aquela primeira edição inesquecível.

No caso do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, algumas sequências de samba-enredo mostraram que é sempre possível melhorar a cada ano.

A primeira e mais inesquecível delas é a sequência protagonizada pelo Império Serrano de 1964 a 1969. Na ocasião, o Reizinho de Madureira desfilou sempre com sambas de Silas de Oliveira (as vezes sozinho, as vezes com parceiros), muitos deles que figuram nas listas de melhores sambas da história. São eles: Aquarela Brasileira (1964), Cinco Bailes da História do Rio (1965, em parceria com Bacalhau e Dona Ivone Lara), Glória e Graças da Bahia (1966), São Paulo, Chapadão de Glórias (1967, com Joacir Santana), Pernambuco, Leão do Norte (1968) e Heróis da Liberdade (1969, com Mano Décio e Manoel Ferreira).

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Os 10 anos de um carnaval “esquecível”

Lagarto de espuma: maior símbolo do carnaval de 2007.

Por Bernardo Pilotto*

No verão de 2007, todos os caminhos levavam ao Rio de Janeiro. Mais especificamente, para a Rua dos Artistas, na Vila Isabel, aquela mesma que inspirou tantas crônicas de Aldir Blanc. Digo isso porque, naquele carnaval (e também um pouco antes, em janeiro), gente de tudo que é lugar se apinhocou naquele prédio onde vários apartamentos eram ocupados por estudantes da UERJ.

Nem sei bem onde tudo começou, mas o certo é que muita gente esteve por lá naquele verão. No final de janeiro (lá pelo dia 27), uma reunião acabou premiada por cair num dia de uma festa à fantasia em algum lugar próximo ao Largo São Francisco. Festa animada, cerveja gelada e muito calor. O melhor figurino ficou com alguém que foi de nadador. Na volta para a Vila, apenas coordenadas muito loucas: left, right, very left.

Menos de um mês depois, a Rua dos Artistas recebia ainda mais gente para os festejos de momo. Com direito a participação especial de peruanos, incluindo um que já havia gravado um cd de samba. Fui um dos primeiros a chegar, já na quarta-feira anterior à festa, e tive a oportunidade de aproveitar até o limite o Escravos da Mauá de quinta-feira, mostrando que aquele carnaval ia ser animado. Soneca no meio-fio, gente estranha numa festa esquisita e a demanda por escrever, já na sexta-feira, um cartaz com alguns mandamentos para aquele os dias que viriam.

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Pequeno guia sobre o carnaval carioca ou “um amontoado de comentários aleatórios sobre a Folia de Momo”

Muitos amigos e amigas que conhecem meu gosto pelo carnaval carioca sempre me perguntam sobre dicas e orientações sobre essa festa maravilhosa. Eu normalmente escrevia mensagens no Facebook ou por e-mail com essas dicas. Dessa vez, escrevo aqui neste blog, para que fique de mais fácil acesso.

Gostaria de explicar que este roteiro é fruto da minha experiência pessoal, visto que desde 2006 frequento, sem falta, o carnaval carioca e fui aprendendo nestes anos algumas dicas de bloco, descartando outros, etc. Há outras possibilidades e outros roteiros também. Fique atento, de qualquer forma, a algumas dicas que acabam sendo universais.

De 2006 pra cá, muita coisa mudou. Na metade da primeira década do século XXI não tínhamos WhatsApp e os guias de carnaval online eram raros. Praticamente dependíamos todos e todas do guia produzido pelos mandatos do PSOL. Agora você consegue quantos guias quiser na internet. Outra mudança é que, neste período, surgiram uma infinidade de blocos, especialmente os diferentões, que tocam outros tipos de música além do samba e das marchinhas, como Beatles, Roberto Carlos, Tim Maia, etc.

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“Flores em vida” para José Trajano

Por Bernardo Pilotto*

“Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais”

(Nelson Cavaquinho)

É comum comentarmos que, no Brasil, só homenageamos as pessoas quando estas morrem. A crítica a isso é a tônica, inclusive, de várias músicas, como Quando Eu Me Chamar Saudade, de Nelson Cavaquinho, que tem versos no começo desse texto.

De alguma maneira, o programa “Na Sala do Zé”, do canal Ultrajano, reverte essa tendência (ou é a exceção que confirma a regra). Inaugurado na última quinta-feira, 08 de dezembro, o programa é uma homenagem para o jornalista José Trajano, 70 anos de idade completados em outubro.

Recentemente demitido da ESPN Brasil, canal a cabo em que foi diretor de 1995 a 2012, a nova empreitada de José Trajano mostra sua vivacidade e atualidade.

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Uma nova safra de sambas-enredo

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Por Bernardo Pilotto*

Em fevereiro de 2016, pouco antes do carnaval, tive a oportunidade de assistir o historiador Luiz Antônio Simas dando uma entrevista para o jornal O Globo. Havíamos combinado um encontro e eu fui até a Vila Isabel atrás dele, com quem já conversava pelo Facebook (esse encontro já mereceria uma crônica própria). Durante a entrevista (que acabei nem conseguindo ler), ele afirmou uma coisa que chamou a atenção: a crise econômica faria bem às escolas de samba.

Simas emendou uma explicação na hora: com a crise haveriam menos patrocínios e, desta forma, as escolas teriam mais autonomia na hora de escolher os seus enredos. Ele ainda citou os anos 1980 como exemplo de uma época parecida e fez questão de colocar que não podemos ver as escolas de samba como coitadinhas que foram engolidas pelo dinheiro; segundo ele, por muitas vezes a iniciativa de enredos patrocinados partiu das próprias escolas.

Na hora isso soou estranho. Até então, avaliava que a profusão de enredos com críticas sociais nos anos 1980 (especialmente na Caprichosos de Pilares e São Clemente, mas que se espalharam também por União da Ilha, Mangueira, Salgueiro, Império Serrano e Vila Isabel) era muito mais fruto do contexto social e econômico que o Brasil vivia na época do que da falta de patrocínios. Muito provavelmente, esses dois fatores são os que mais influenciaram o mundo do samba na época.

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