Pequeno guia sobre o carnaval carioca ou “um amontoado de comentários aleatórios sobre a Folia de Momo”

Muitos amigos e amigas que conhecem meu gosto pelo carnaval carioca sempre me perguntam sobre dicas e orientações sobre essa festa maravilhosa. Eu normalmente escrevia mensagens no Facebook ou por e-mail com essas dicas. Dessa vez, escrevo aqui neste blog, para que fique de mais fácil acesso.

Gostaria de explicar que este roteiro é fruto da minha experiência pessoal, visto que desde 2006 frequento, sem falta, o carnaval carioca e fui aprendendo nestes anos algumas dicas de bloco, descartando outros, etc. Há outras possibilidades e outros roteiros também. Fique atento, de qualquer forma, a algumas dicas que acabam sendo universais.

De 2006 pra cá, muita coisa mudou. Na metade da primeira década do século XXI não tínhamos WhatsApp e os guias de carnaval online eram raros. Praticamente dependíamos todos e todas do guia produzido pelos mandatos do PSOL. Agora você consegue quantos guias quiser na internet. Outra mudança é que, neste período, surgiram uma infinidade de blocos, especialmente os diferentões, que tocam outros tipos de música além do samba e das marchinhas, como Beatles, Roberto Carlos, Tim Maia, etc.

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“Flores em vida” para José Trajano

Por Bernardo Pilotto*

“Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais”

(Nelson Cavaquinho)

É comum comentarmos que, no Brasil, só homenageamos as pessoas quando estas morrem. A crítica a isso é a tônica, inclusive, de várias músicas, como Quando Eu Me Chamar Saudade, de Nelson Cavaquinho, que tem versos no começo desse texto.

De alguma maneira, o programa “Na Sala do Zé”, do canal Ultrajano, reverte essa tendência (ou é a exceção que confirma a regra). Inaugurado na última quinta-feira, 08 de dezembro, o programa é uma homenagem para o jornalista José Trajano, 70 anos de idade completados em outubro.

Recentemente demitido da ESPN Brasil, canal a cabo em que foi diretor de 1995 a 2012, a nova empreitada de José Trajano mostra sua vivacidade e atualidade.

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Uma nova safra de sambas-enredo

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Por Bernardo Pilotto*

Em fevereiro de 2016, pouco antes do carnaval, tive a oportunidade de assistir o historiador Luiz Antônio Simas dando uma entrevista para o jornal O Globo. Havíamos combinado um encontro e eu fui até a Vila Isabel atrás dele, com quem já conversava pelo Facebook (esse encontro já mereceria uma crônica própria). Durante a entrevista (que acabei nem conseguindo ler), ele afirmou uma coisa que chamou a atenção: a crise econômica faria bem às escolas de samba.

Simas emendou uma explicação na hora: com a crise haveriam menos patrocínios e, desta forma, as escolas teriam mais autonomia na hora de escolher os seus enredos. Ele ainda citou os anos 1980 como exemplo de uma época parecida e fez questão de colocar que não podemos ver as escolas de samba como coitadinhas que foram engolidas pelo dinheiro; segundo ele, por muitas vezes a iniciativa de enredos patrocinados partiu das próprias escolas.

Na hora isso soou estranho. Até então, avaliava que a profusão de enredos com críticas sociais nos anos 1980 (especialmente na Caprichosos de Pilares e São Clemente, mas que se espalharam também por União da Ilha, Mangueira, Salgueiro, Império Serrano e Vila Isabel) era muito mais fruto do contexto social e econômico que o Brasil vivia na época do que da falta de patrocínios. Muito provavelmente, esses dois fatores são os que mais influenciaram o mundo do samba na época.

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“No batalhão desse Sargento, eu sou recruta”*

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Por Bernardo Pilotto*

No próximo dia 11 de dezembro, o projeto Samba do Sindicatis completará 6 anos de existência. E, depois de recebermos Monarco, Waldir 59, Tantinho da Mangueira, Rafael Lo Ré e Tuco Pellegrino, será a vez de comemorarmos com Nelson Sargento.

Esse tem tudo para ser um show épico. Isso porque Nelson Sargento é representante de uma geração do samba que praticamente não existe mais. Com 92 anos de idade, teve o privilégio de ser amigo de Cartola, com quem compôs vários sambas. Em 1955, a Mangueira, sua escola de coração, desfilou com um samba-enredo, que se tornou uma de suas músicas mais famosas (“As Quatro Estações”).

Nelson é também um faz-tudo, visto que foi do Exército, é pintor de quadros, já foi ritmista de bateria. Nos anos 1960, fez shows em conjunto com Paulinho da Viola e Zé Ketti.

E, assim como escrevi na ocasião em que recebemos Monarco, este também é um show em que meu coração particularmente se balança. E não é só porque foi num show de Nelson, em 2007, que meu mais longo relacionamento amoroso se iniciou (coincidentemente, foi perto de mais um show dele que se acabou). Muitos antes disso, já tinha tido chance de ver Nelson no palco.

A primeira vez foi lá nos idos de 2000. Nelson foi convidado para vir a Oficina de Música de Curitiba ministrar aulas de composição de sambas. Ele fez shows durante toda a semana na cidade. Aos 16 anos de idade, ainda não tinha autonomia para estar nestes shows e nem tinha muitos amigos que gostassem de samba. Por isso, não fui aos eventos durante a semana. Mas, no sábado, no Teatro da Reitoria, eu estava lá.

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Uma conversa qualquer em algum lugar de Brasília

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Mosca, enviada especial a Brasília.

– Ah! Você por aqui?
– Vai se acostumando, vou passar muito tempo por aqui (riso irônico).
– Está cantando vitória antes da hora. Perdi a batalha, não a guerra.
– Então você ainda acredita que pode reverter a situação.
– Veremos.
– E você acha que quem vai te ajudar a vencer é o Renan?
– E você confia no Cunha?
– Mais do que confiei em você.
– Eu,  ao que parece, estou sempre confiando nas pessoas erradas.
– E as pessoas estão sempre erradas em confiar em você. Você virou as costas pra muita gente.
– Corta esse papo. Faz tempo que você anda tramando pelas minhas costas.
– Você não me deu alternativa.
– Ah, pode parar. Não me venha com essa de que nunca foi escutado. De que foi colocado de lado. Estamos só nós aqui e ambos sabemos que você tem muita culpa no cartório.
– E isto o que importa agora? A esta altura a minha versão já virou a versão oficial.
– Só quero ver quando tempo vai demorar o teu romance com o Cunha, Paulinho, PSDB, bancada evangélica. Read more about Uma conversa qualquer em algum lugar de Brasília