Princesa Isabel

*Por João Guilherme de S. Corrêa

20_09_2016_15_18_09Princesa Isabel. Este é nome da cidade de onde o Luciano me disse que veio. Não vou nem procurar no Google onde essa cidade fica. Ele falou que é perto de João Pessoa e, pra mim, essa informação basta. Não tenho razões para não acreditar. No entanto, antes de falar que era de lá, já tinha ficado sabendo que ele era de algum lugar da Paraíba. Ele tinha dito que era paraibano: “Me chamam aqui de Baianinho, mas eu não gosto. Sou paraibano. São raças diferentes”, confessou.

Conheci Luciano como Baianinho no futebol da segunda-feira, quando ele jogou no gol para o meu time. Mas foi só após o futebol da quinta-feira é que conversei com ele. Fomos convidados por outros jogadores para comer alguns peixes fritos que as esposas de alguns dos jogadores do time prepararam na cozinha da quadra. Entre um peixe de Três Marias e outro, eu bebendo cerveja e ele refrigerante, Luciano me disse que tem 22 anos, que é casado, que não tem filhos e que não bebe. Disse ainda que é paraibano, mas mora em Marília (interior de São Paulo) e que lá trabalha como servente de pedreiro. Tem outras coisas de Luciano que ele não disse e que não tem como não saber: ele usa um corte de cabelo à la Neymar no Santos (descolorido e tudo) e é negro. Disse também que tem uma casa “daquelas que o governo dá” numa favela da cidade.

Read more about Princesa Isabel

Meu herói … tomou um tiro na cara

*Por Bernardo Pilotto

bernardo1“Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder”
Cazuza

29 de abril de 2015. Quarta-feira. 16h04. Enquanto marco consultas de Fisioterapia no HC ao mesmo tempo que leio aflito as notícias dos jornais que acompanhavam lance a lance os acontecimentos no Centro Cívico, meu celular apita e a mensagem é assustadora e traz um pedido quase impossível: “Cara, tomei um tiro. Tô no Cajuru. Mas tá ok. Tranquiliza o pessoal”.

Nos minutos seguintes, o diálogo segue. Tento cumprir a missão de tranquilizar “o pessoal”; aproveito também para falar com a mãe e a irmã de nosso personagem. Logo após me contar detalhes do ferimento, ele começa a perguntar  sobre o que acontecia do lado de dentro da ALEP: “Votaram? Vão votar?”. Por fim, a conclusão: “O Richa conseguiu o 30 de agosto que queria”.

Assim que posso, corro para a praça Nossa Senhora de Salete. Nunca havia sido tão torturante ter que cumprir minhas horas de trabalho no Hospital de Clínicas. Depois de passar a noite de 28 para 29 de abril acampado na praça, de ter ajudado a carregar um abastecimento de caixas de água logo pela manhã do dia 29 (junto uma turma muito firmeza da Unicentro de Irati), de ter participado ativamente da ocupação de 12 de fevereiro, de ter enfrentado Beto Richa no debate da RPC/Globo, era incrível que eu não estivesse lá junto a tantos camaradas naquela tarde.

Read more about Meu herói … tomou um tiro na cara

Tempos de mudanças

A mudança nunca é fácil. Mas já morei em tantas casas (que nem me lembro mais) e posso dizer que um bom começo é saber para onde você está se mudando. Por exemplo, se estão derrubando um presidente, é bom saber quem assumirá o comando. Não que estivesse bom, mas é que não parece uma […]

Uma lição de esperança

Foto: Joka Madruga

12 de fevereiro. Fazia dois dias que a sede do Poder Legislativo do Paraná havia sido ocupada por manifestantes.

Naquele dia 10, dois dias antes dessa foto, um formigueiro humano havia tocado os deputados pra fora de suas cadeiras almofadadas. Alguns deputados saíram dignamente, pois desde o início haviam discordado dos os fins e/ou dos meios do então Governador do Estado. Outros saíram raivosos com o esculacho a que se viram submetidos, produto líquido e certo da incompetência política desse mesmo Governo. Outros, ainda, saíram completamente encagaçados, confusos e assustados diante da massa popular indignada que contra eles se impunha. Read more about Uma lição de esperança

Eu odeio a Imperatriz (ou “As vitórias que não mereciam vencer”)

*Por Bernardo Pilotto

bernardo1Apesar do “Martin Cererê“, do Zé Katimba e do “O Que É Que a Bahia Tem?“, não tenho dúvidas: eu odeio a Imperatriz! E não é por conta do enredo nonsense de 2016; o  meu problema vem de bem antes.

Lá no início dos anos 1990, quando eu tinha algo em torno de 6 anos, comecei a acompanhar competições, esportivas e de carnaval. Nessa época, torcia para aquele que era o “mais fraco” ou “do contra”. Não havia um critério único para estabelecer isso, mas me lembro de estar relacionado ao time/equipe que tinha menos títulos ou que não estava ganhando. Foi assim que passei a ser contra o São Paulo no futebol, contra os EUA nas Olimpíadas e contra a Mocidade Independente no carnaval carioca.

Depois, tudo isso foi ficando mais refinado. No caso do carnaval, o importante era animar, ter um samba, empolgar. Afinal, é uma disputa que envolve samba, música, alegria. Por estes aspectos, as vitórias da G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense da metade dos anos 1990 até o começo dos anos 2000 pareciam ser mais um reforço para a tese neoliberal de que não havia mais alternativa (confira aqui o texto que escrevi sobre esta teoria e o samba nos anos 1990), de que querer que a escola vencedora fosse alguma que tivesse empolgado a plateia fosse pedir demais.

Read more about Eu odeio a Imperatriz (ou “As vitórias que não mereciam vencer”)