O Interdito

*Por Renato Gonçalves

I

Meu nome é miséria.
Escrito na testa
pra qu’eu não precise
dizer a ninguém.

Se falo, é estigma
na ponta da língua,
pra que eu me cale
quando lhe convém.

Meu teto é marquise;
a cama, sarjeta.
Conhece, mas finge
e passa; não vê.

A voz, interdita,
que cala e resiste.
Criatura do mal,
você mesmo fez.

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