Deixemos o medo de vermelho para as bestas cornudas!

Julio Cesar Gonçalves da Silva*

Vivemos um tempo em que o obscurantismo político está ganhando força. A mentira sempre foi utilizada como arma política, porém, existe um limite que separa uma interpretação duvidosa de um dado estatístico com a profusão de factoides produzidos para se construir (ou destruir algo ou alguém) politicamente. O nazismo triunfou na Alemanha utilizando este último artifício, responsabilizando os comunistas, por exemplo, por ataques terroristas ou conflitos de rua que eles mesmos provocavam. A história se repete e páginas do facebook como os revoltados online se especializaram nesse tipo de prática ignóbil, inventando informações que deixam no chinelo até mesmo o Sensacionalista (famosa página de humor que publica notícias falsas). No último período reparei que as páginas da nova direita (ultraliberais seguidores do instituto Misses) e da extrema direita começaram a postar dezenas de vezes as mesmas coisas. Estão seguindo a risca o conselho do Goebbels, ministro de propaganda nazista, de que uma mentira contada muitas vezes passa a ser uma verdade.

Estes ataques são dirigidos sempre contra o mesmo setor: a esquerda política. O alvo principal é o PT, mas cada vez de forma mais intensa a esquerda socialista, em especial o PSOL, está sendo associada ao governo e a todos os males existem em nosso país. Para surfar na crise do petismo, precisam evitar que o vazio político deixado por esta crise seja ocupado por forças progressistas. Querem sepultar qualquer projeto popular autônomo junto com o petismo.

O problema é que estas táticas parecem estar dando certo. Em minhas aulas de Sociologia volta e meia tenho debatido com os estudantes me questionando sobre uma suposta bolsa prostituta, sobre o Foro São Paulo e conspiração comunista na América Latina, sobre o filho do Lula dono da Friboi, sobre a suposta conspiração petista para o assassinato de Eduardo Campos, sobre o deputado Jean Wyllys defender a pedofilia, etc. Mesmo na sala de professores sempre ouço este tipo de coisas sem fundamento. E a coisa só piora, pois agora até a memória do garoto Eduardo brutalmente assassinado pela PM carioca tem sido destruída através da circulação no facebook e grupos de what’s app de uma imagem que o associa a um menor de idade que está carregando armas, tudo isso para justificar a guerra aos pobres promovida pela política de segurança pública e defendida por este setores direitistas. Além disso, o ódio contra a esquerda e toda a pauta progressista já não se limita às redes sociais, cada vez mais toma conta das ruas. A situação chegou ao ponto que sair de casa vestindo vermelho, a histórica cor da luta dos trabalhadores, ou qualquer símbolo que remeta à esquerda pode ser perigoso.

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Isso daria manchete de capa em qualquer jornal do mundo

Vinícius Duarte *

Estadão demite um monte de jornalista, a FSP parece que também demitirá. Jornalistas entre perplexos e revoltados nas redes sociais. Sindicato promete emitir aquelas maravilhosas “notas de repúdio” e tal.

Eu fico triste, como consumidor de notícias (e amigo de alguns jornalistas), mas queria dizer umas coisas para o pessoal da área que presta alguma atenção no que eu escrevo:

Sabe o que acontece quando, por exemplo, uma montadora anuncia demissão em massa ou fechamento de uma planta? Sim, você, jornalista, sabe bem, já deve ter feito muita cobertura de greve por aí. Read more about Isso daria manchete de capa em qualquer jornal do mundo

Alguns perigos do fundamentalismo (ainda sobre a PEC 171)

A PEC 171, objeto de discussão dos últimos dias, passou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A fragilidade da argumentação dela foi discutida pelo Luiz Belmiro neste post aqui. Porém, alguns argumentos utilizados pelo então deputado federal Benedito Domingos (PP-DF) em 1993 chamam a atenção e escancaram um problema sério da política brasileira: o fundamentalismo religioso.

O ex-parlamentar, que chegou a ser vice-governador do DF em uma das gestões de Roriz, e que depois, como deputado distrital, foi alvo de processo de improbidade administrativa por liberar verbas públicas para a própria igreja de que é pastor e também alvo da Operação Caixa de Pandora em 2009, utilizou duas passagens bíblicas, em detrimento de dados técnicos e estatísticos, como argumento durante a justificativa de sua proposta de reduzir a maioridade penal.

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Falácias sobre a maioridade penal e a justiça

Um dos principais debates que marcou a política nacional durante a última semana foi a respeito da redução da maioridade penal no Brasil, e pretendo discutir aqui alguns dos inúmeros argumentos sagazes e sensatos a favor da proposta. Primeiramente, o caráter preventivo defendido pelo autor da proposição, o deputado federal Marcos Rogério (PDT-RO), pelo raciocínio do parlamentar, a redução terá o efeito de amedrontar e inibir os atos dos potenciais meliantes que se aproveitam do fato de serem menores de idade para cometer atrocidades e barbáries com as pessoas de bem deste país.

Pois bem, este é o mesmo raciocínio por trás de várias propostas de lei que já vimos serem formuladas e tramitarem no Congresso Nacional, mas se qualquer legislação tivesse tal poder, então o mundo seria um lugar perfeito. Devemos lembrar que nem mesmo os dez mandamentos tem tal poder sobre os fieis cristãos, afinal de contas, não matarás e não roubarás estão entre as restrições impostas por Deus a todos aqueles que desejam um dia entrar no paraíso. E se nem mesmo a promessa máxima de passar a eternidade ao lado do Senhor todo poderoso é capaz de impedir as pessoas de cometerem tais atos, o que dirá um corpo de lei formulado por meros mortais.

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Polêmica do beijo em novela escancara uma sociedade intrometida e atrasada

Allan Simon *

O beijo entre duas personagens interpretadas por atrizes veteranas, Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, provocou imensa polêmica e um boicote de setores evangélicos à novela “Babilônia”, exibida atualmente pela Rede Globo.

A julgar pela queda nos índices de audiência, que parecem preocupar a emissora, o boicote vem dando certo. Todo esse cenário mostra uma sociedade extremamente intrometida, atrasada e autoritária. Os que se incomodam com uma expressão de amor entre duas pessoas apenas pelo fato de ambas serem do mesmo sexo não têm mais medo de se revelarem como homofóbicos e propagadores do ódio.

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