A Globo e a violência contra a mulher no BBB

*Por Denise Simeão

Amigo:

Eu não espero, de verdade, que você entenda o que representou para nós, mulheres, ver um pedido de desculpa da Globo em horário nobre a uma trabalhadora assediada. Também não espero que sinta a mesma coisa que nós ao vermos um agressor ser expulso de um programa na mesma emissora.

MAS O MÍNIMO QUE ESPERO é

1 – Que você entenda que o Brasil ocupar QUINTO LUGAR NO MUNDO em violência contra a mulher pode não afetar a sua vida, mas afeta a nossa.

2 – Que você procure ver a importância da repercussão deste tema como forma de combater a invisibilidade cotidiana e a naturalização com que é tratado.

3 – Que você pare de nos dizer com o que devemos nos preocupar e sobre o que realmente é importante. Nós temos capacidade de discernimento. As mulheres saíram às ruas contra Cunha, contra Temer, contra Macri, contra Trump. E também lutamos contra a Reforma da Previdência.

4 – Que você desenvolva sua capacidade de não ser monotemático. Podemos enfrentar e nos posicionar sobre mais de um tema na conjuntura.

5 – Que você reflita sobre esse monte de bombardeios que lança diariamente quando nos sentimos vitoriosas em algo. Coisas do tipo “pauta liberal”, “não é tão importante”, acabam sendo o outro lado da moeda dos bombardeios que sofremos dos conservadores, com os seus “feminazis”.

Sinceramente, será que, mesmo que inconscientemente, essa reação não tem um aspecto de “mexeu com um mexeu com todos”? E será que ao invés de somar com milhares de mulheres que estão em luta, não é você, com sua falta de empatia, que ajuda a reforçar a ligação de pautas identitárias com as ideias liberais, uma vez que não são acolhidas e respeitadas em espaços de esquerda?

*Denise Simeão é Jornalista.

Texto originalmente publicado no Facebook e reproduzido aqui com permissão da autora.

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