A Reforma Trabalhista

 

*Por Mariana Tabuchi

*Por Mariana Tabuchi

O dia 11 de julho de 2017 foi marcado por uma profunda derrota para o povo brasileiro.

A reforma trabalhista é a pior medida aprovada no último período.

Primeiro, porque é desumano. Ataca não só o trabalho em si, ataca todo o conjunto e a estruturação do nosso modo de vida. Aumentar a jornada de trabalho para 12 horas por dia acarretará não somente em mais trabalho, mas também em ausência de tempo para qualquer outra atividade. Além disso, a disposição do tempo do trabalhador – via contrato zero hora – é absurdamente bizarra. Porque além de vc ser destituído do seu tempo diário, não necessariamente você irá receber por isso. A não obrigação do pagamento de salário mínimo também diz que você não necessariamente precisa receber SEQUER O SALÁRIO MÍNIMO, que NÃO JÁ NÃO DÁ PRA NADA (R$937,00 não paga nem a moradia das pessoas).

Não bastasse isso, o negociado sobre o legislado acabará com qualquer possibilidade de reivindicação legal sobre qualquer direito infringido. É, nada mais, que ausência total de direitos.(A disciplina “Direito do Trabalho” já pode ser extinta no curso de direito, por ausência manifesta de objeto).

Segundo, porque ela foi IMPOSTA ao povo. Mesmo indo às ruas dizendo NÃO à reforma, os trabalhadores, aqueles que viverão os malefícios da lei, não foram ouvidos. Foram absolutamente ignorados. Nos foi negado o direito de decidir sobre nossas próprias vidas. Parece que não existe princípio do contraditório na vida real.

Terceiro, porque é INCONSTITUCIONAL e fere cláusula pétrea, uma vez que propõe ABOLIR direito e garantia individual.

Mas, o que aqueles que votaram essa lei e, sobretudo, os interessados nela, não contam é que as pessoas não aceitam assim tamanha degeneração da vida. As pessoas estão revoltadas, isso é real. Votaram ontem por mais um motivo para dizer basta a essa merda toda.

Ainda que as centrais sindicais e os setores petistas não estejam compromissados com barrar essa reforma, o povo não dependerá muito tempo da decisão de suas vidas por cima. Vai ser por baixo mesmo. E virá.

*Formada em Direito pela UFPR, militante do coletivo Alicerce e da Nova Organização Socialista.

Texto publicado originalmente no Facebook e reproduzido com permissão da autora.

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