Camaleônicas

11_02_2016_00_24_43De olho nas manchetes, vem aquela dúvida que vira pergunta:

– Quem realmente era você? Qual a tua verdadeira face? Qual de vocês era o verdadeiro você?

E o dia vai passando. As dúvidas batem como ondas no rochedo. As tarefas ocupam todo o espaço. Tudo volta no meio e no fim. Eis que vem ela, nossa amiga epifania.

– Você realmente era todos. Nem todo mundo conhece todas nossas caras e nem o rio que banha o homem é o mesmo, muito menos o homem é o mesmo. Todos fomos astronautas e já parecemos de outro mundo. Uma hora quisemos dançar ou até fritar, mas somos nós mesmos, mesmo sendo diferentes do dia anterior. Alguns dias todos nos conhecem e em outros somos uma esfinge criptografada. Apelidos vão e vêm, adjetivos vão e vêm, cabelos crescem e caem. Se nem todo dia acordamos com o mesmo humor, por que não poderíamos soar diferente e parecer diferente? Eis que tudo isso é parte de um grande romance de formação chamado vida em que a última linha é um tremendo spoiler. E pessoas deixam pedaços em outras, pois todos foram poeira espacial e voltarão a ser. E os pedaços teus estão todos por aí e são de várias cores que teve durante esse tempo todo.

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