Corrupto ou medíocre

"O Pensador", Rodin, ou, em em livre interpretação, "O eleitor".

“O Pensador”, Rodin, ou, em em livre interpretação, “O eleitor brasileiro”.

Graças a adoção de medidas impopulares e seguidos escândalos de corrupção em seus governos, Dilma e Richa conquistaram baixos índices de aprovação. Fruet, o candidato da mudança com segurança, é aprovado por pouco menos da metade do eleitorado, 48% segundo pesquisa divulgada nos últimos dias do ano passado. Índice maior do que o da presidenta e do governador, é verdade, porém ainda baixo, sobretudo para quem vai tentar a reeleição neste ano.

Baixo, inclusive, porque nestes pouco mais três anos em que Fruet ocupa o cargo de prefeito de Curitiba, não houve qualquer escândalo de corrupção que manchasse sua administração e, consequentemente, sua imagem pessoal. Também não aplicou medidas tão impopulares, como massacrar professores e servidores em praça pública depois de saquear suas reservas para aposentadoria, ou dificultar o acesso ao seguro desemprego penalizando os trabalhadores mais uma vez pela crise econômica.

A seu favor, Fruet ainda possui um currículo raro na política brasileira. Mesmo tento passado por alguns partidos de peso na política e nos noticiários brasileiros, nunca teve seu nome associado a qualquer escândalo. Começou sua carreira no PMDB, depois foi ao PSDB, onde foi companheiro de Beto Richa e, por último, filiou-se ao PDT para concorrer à prefeitura numa chapa composta também pelo PT. Ainda assim, a reeleição de Fruet não é uma aposta certa segundo as últimas pesquisas de intenção de votos.

Quem tem boa memória, pode recordar que Fruet não se elegeu como o candidato da maioria, mas como o candidato que conseguia agregar os votos de rejeição a outros candidatos, no entanto, mesmo após três anos como prefeito, não conseguiu reverter este quadro.

A conclusão lógica primária é que o mandato de Fruet frustra a expectativa de muitos, porém, há que se admitir, ele não faz diferente daquilo com que se comprometeu durante a campanha eleitoral. “Mudança com segurança”, para bom entendedor, significa exatamente o que o atual prefeito de Curitiba faz. Os contratos não foram rompidos, nenhuma guinada drástica e assustadora foi dada, enfim, manteve as coisas em confortável estabilidade, com a vantagem de ter afastado os cofres de Curitiba do grupo liderado por Beto Richa (o que não é pouca coisa). Mais do que isso, interrompeu a longa sequência de administrações comandadas pelo mesmo grupo político, que já estava bem desgastado depois de tantos anos.

Ao que parece, o caso curitibano contraria boa parte dos noticiários brasileiros, que apontam a corrupção como o principal e, muitas vezes, único problema que assola o país, como se acabando com a corrupção estivéssemos automaticamente melhorando a qualidade de vida da população, sem a necessidade de políticas públicas concretas. Este é o caldo que orienta a comunicação das campanhas eleitorais dos grandes partidos, e que acaba orientando também boa parte do eleitorado, dividido entre o voto no corrupto, aquele que “rouba, mas faz”, ou no medíocre, por falta de opção.

Esta entrada foi publicada em Opinião e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta