Defendendo o indefensável

*Por Affonso Cardoso

Affonso1O governo Dilma é indefensável. A sua política ortodoxa de juros altos, redução do orçamento para todas as áreas, mesmo na educação da “pátria educadora, com seus 12 bilhões de cortes em 2015, “concessões” de setores para administração privada, lei “antiterrorismo” que institucionaliza a criminalização das lutas sociais, patrocinada pelo executivo federal, fazem a direita reacionária, o capital especulativo e parte do empresariado se sentirem completamente saciados. O senso comum imbecilizado que “bate panelas de teflon” nas sacadas dos bairros de classe média das grandes cidades contra o governo Dilma e o PT não tem capacidade de compreender que Aécio e seus “bluecaps”, do PSDB e do DEM, não têm grandes divergências em relação à receita implementada por Dilma, bastando observar o comportamento das bancadas desses partidos no Congresso Nacional quando da votação dos temas do “ajuste fiscal”.

A política econômica ortodoxa e neoliberal de Dilma e do PT – bastando, também nesse caso, observar o comportamento da bancada nas votações dos temas do “ajuste” -, que a sustenta no Congresso Nacional, deve ser repudiada. A política do governo Dilma é recessiva, se baseia no sucateamento do serviço público e no corte de direitos.

A despeito disso, qualquer alternativa proposta por delinquentes da política como Eduardo Cunha, partidos da oposição de direita e, “pasmem”, parte da base aliada do governo Dilma na implantação do ajuste fiscal, que procurem suspender o mandato via ‘impeachment’ ou cassação, não são nada além de tapetão e atalho para controlar a estrutura política estatal mais rapidamente, pois as bases econômicas do governo Dilma, como dito, são muito semelhantes às do PSDB. Derrotados nas urnas em 2014, Aécio e seus aliados – vários dos quais sustentando o governo Dilma no Congresso, tamanha a esquizofrenia do momento -, estimulam uma abreviação do mandato presidencial baseado em argumentos frágeis sob qualquer ponto de vista. As tais “pedaladas fiscais” são praticadas por todos os governos, inclusive os estaduais, administrados por governadores do PSDB. Se o argumento for esse nenhum governo se manteria no cargo. Não é possível aceitar a interrupção de mandato com essas bases. Defender as “regras do jogo”, contudo, não significa dar um cheque em branco para que Dilma e seus aliados de frações da grande burguesia continuem implementando sua política de austeridade.

* Affonso Cardoso é professor de Sociologia da Rede Pública Estadual.

Texto originalmente publicado no Facebook e reproduzido aqui com autorização do autor

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