O Efeito Orloff Tucano no Paraná e em São Paulo

11_02_2016_00_24_43Nos anos 80, surgiu um termo que explicava a coincidência de fatos entre Brasil e Argentina. Muitas medidas políticas e econômicas eram tomadas em um país e depois em outro. Era o chamado Efeito Orloff, devido a um comercial de bebida cujo slogan era “eu sou você amanhã”. Eis que o tal do Efeito Orloff está acontecendo tristemente nos governos de São Paulo e Paraná.

Em comum, já começamos pela filiação partidária dos dois governadores, Geraldo Alckmin e Beto Richa, ambos do PSDB. Ambos governam sob um viés elitista e neoliberal, como será explicado adiante quando falarmos de educação. Ambos vieram de reeleições acachapantes e são próximos/integrantes de grupos conservadores.

"Eu sou você amanhã" (Foto: Orlando Kissner/ANPr)

“Eu sou você amanhã” (Foto: Orlando Kissner/ANPr)

Os dois governos encaram, como todo bom neoliberal, que a educação é gasto e não investimento. Isso tudo pode ser visto em tentativas e tratativas de ambos os lados de reduzir a rede escolar pública de seus estados. No efeito Orloff, primeiro São Paulo anunciou fechamento em breve de várias escolas. Após algumas semanas, como se dissesse “sou você amanhã”, o governo paranaense anuncia medida similar, incluindo escolas tradicionais cujos bairros cresceram ao redor e que têm fila de espera de alunos interessados.

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Recado enviado a pais de uma escola municipal de Curitiba sobre o vindouro fechamento da escola estadual da região (Imagem: Reprodução / Facebook)

A siamesidade da coisa aparece até na hora de criar eufemismos para os fechamentos de escolas. Em São Paulo, falam que é um “reorganização”. No Paraná, a Secretaria de Educação fala que as escolas serão “cessadas”. Seria cômico se não fosse trágico. Diversos estudos feitos explicam que é péssimo para o aprendizado turmas excessivamente grandes, assim como alunos que percorrem longas distâncias diárias para estudar tendem a ter mais dificuldades na escola. São cifras na frente das pessoas.

Os dois estados enfrentaram greves de professores devido ao desmonte da educação pública. No Paraná, o ataque envolveu desmantelamento de escolas com demissão de funcionários de apoio e confisco de dinheiro do fundo de aposentadoria. Tudo redundou no Massacre de 29 Abril, a mais violenta e covarde repressão contra os professores da história, superando aquele 30 de agosto de 1988. Em São Paulo, o movimento encampou queixas contra a falta de professores (o governo estadual dispensou os temporários, num sistema similar ao PSS que está aberto no Paraná, e não repôs).

Não precisamos nem nos prender à educação para notar o Efeito Orloff. Ambos os estados têm casos de violência policial famosos, ambos têm seus governos sob suspeita de esquemas de corrupção que dilapidaram o caixa dos estados. Em São Paulo, tivemos o cartel do metrô, com superfaturamento de reforma de vagões e atrasos eternos nas obras de ampliação do sistema. No Paraná, o esquema na Receita Estadual, com perdão indevido de dívidas em troca de propinas, esquema descoberto a partir de outro esquema descoberto, o de prostituição de menores, que fez com que o repórter que os descobriu tivesse de se esconder fora do país até hoje devido a ameaças de morte sofridas.

E não para por aí, pois temos descaso com as estatais e autarquias (em SP, isso virou falta d’água em lugares cercados de rios, pois a Sabesp não investiu mesmo alerta há 10 anos de que poderia faltar água). No Paraná, por exemplo, teve aparelhamento na Sanepar do tipo que o PSDB sempre acusa os adversários de fazer.

São tempos duros para se viver nos estados em que um é ou quer ser o outro amanhã. Como na propaganda, mas com a certeza da ressaca longa e incapacitante.

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