O fascismo de tipo novo não é apenas dos… fascistas sobre as guerras culturais: o fascio-fakismo

*Por Giuseppe Cocco

Pelo visto as guerras culturais, derivadas do choque de civilizações, são um terreno privilegiado do fascismo de tipo novo que roda no Brasil e Brasil afora. Elas nos colocam questões novas e muitas dificuldades. Vou tentar listar algumas questões.

(a) as guerras culturais são fake, organizadas não apenas na noticia fake, mas em narrativas que se negam entre elas: os fascio-fakistas tem dois grandes temas culturais: a luta contra o islã identificado ao ISIS (publicaram uma foto de Merkel com burka quando ela ganhou as eleições) e ao mesmo tempo querem surfar para impor uma burka-moralista aqui, transformando o justo debate/conflito sobre arte em censura medieval.
Eles produzem fatos fake e narrativas fake: são contra o obscurantismo do ISIS e são iguais ao ISIS.
Mesma coisa acontece com Maduro-Venezuela: são violentamente contra Maduro porque “socialista”, mas querem fazer exatamente a mesma coisa, apoiando e amplificando o fantasma de um Maduro-brasileiro.
Ou seja, o Fascio-Fakismo é um hibrido de ISIS com Maduro.

(b) O fascio-fakismo nos coloca uma série de desafios, alguns deles dizem respeito ao fato que os que dizem se opor a ele são, na realidade, iguais a ele. Por exemplo, os progressistas que defendem Maduro (PSOL, PT, PCdoB, PCB) Vou fazer uma lista de armadilhas, sem querer desenvolver por enquanto:

b.1 – como combater uma política organizada em cima do fake e pelo fake quando o “campo progressista” tem como informação (Fora do Eixo-Ninjas, Brasil171, Diario do Centro das quantas) veiculos que fazem do fake sua forma e conteúdo?
O fake-fascismo quer lutar contra o ISIS para impor o ISIS aqui, contra Maduro para impor o Maduro aqui. Mas o necro-governismo quer lutar contra Temer nos impondo Aécio, quer dizer Temer ….!
O feminismo de facebook ou pseudo-feminismo, aquele que lincha e abriga o coração do Lula, é a mesma coisa: diz lutar pela liberdade da mulher e apenas ressignifica o pior moralismo que aprisiona as mulheres ao pior dos machismos,

b.2 – como combater essas narrativas quando o “campo progressistas” só produz narrativas falsas, desde antes a criminosa campanha eleitoral de outubro de 2014 ???

b.3 – como defender democracia e arte se o “campo progressista” se deixou atravessar pelo fake-fascismo de todo tipo de linchamentos virtuais e reais ao longo de derivas identitárias que claramente impoderavam os sentimentos tristes dos quais nos falavam Spinoza e que tivemos a desgraça de ouvir sendo propagados pela spinoziana-mor da USP?

b.4 como lutar nessa batalha ética e estética se o voto crítico e os professores dos “afetos” acabaram levando Spinoza, Negri e Deleuze por cercadinho da Dilma e do Lula para dizer que “tristes” são sempre os outros?

c – como fazer isso quando nas favelas se matam, esquartejam e queimam as vidas e os corpos dos pobres?

Não sei responder.
Mas sei que é esse o verdadeiro debate …

*Cientista político professor da UFRJ.

Texto originalmente publicado no Facebook e reproduzido aqui com permissão do autor.

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