Riot Girl

Até bem cedo esperei pelo telefonema. Preciso decidir o que fazer da vida sem você. Talvez voltar a frequentar as sessões de terapia para controle da raiva. Pintar os cabelos de sol, tomar um relaxante muscular. Tapando com peneira o sol que vai nascendo para não queimar a cera de minhas asas. Continuar errando e aprendendo. Palavras mágicas. Abracadabra, shazam, magamalabares. Sempre tive a força necessária para enfrentar meus demônios. E olhos da cor da tempestade. As mãos calejadas, as costas tatuadas. Pele salgada de suor. Ranger os dentes, cerrar os punhos, ajeitar a calcinha. Não vou tomar café nem escovar os dentes. Choro debaixo de chuva pra ninguém perceber minhas lágrimas. Vou de aguardente me afogar na ressaca. Agora estou vestida com as roupas e as armas de Jorge. Já que não pude impedir sua partida ao menos posso me vingar contra os anjos que te levaram embora. Não se esqueça de mim quando estiver brincando na eternidade. Finalmente vou achar tempo para escrever nossa história num diário. O nosso amor não deu em nada. Apenas cenas inimagináveis. Correr de mãos dadas na rua, beijos com sofreguidão. Nossos diálogos verdadeiros. “Por que você não me ligou?”. “Senti saudades”. “Boa noite”. Melhor amiga de blogueiras suicidas em Nova York internadas. Girl Power. Madonna Debbie Harry Joan Jett. That’s not my name. Vampirella Druuna Barbarella. They forget my name. Em nossa família somos devotos de todas as divindades pós-modernas. Coca-cola Nike McDonalds Iphone Harley Davidson Lucky Strike Mickey Mouse. Hoje em dia, todos os deuses são americanos.

Esta entrada foi publicada em Conto, Literatura e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta